Isadora Aterrissar em Brasília foi como inalar uma dose concentrada de nostalgia. O céu vasto, de um azul quase agressivo, e a arquitetura modernista de concreto e vidro. A capital federal era minha casa. O cheiro de terra seca e capim queimado era familiar, um alívio temporário para o peso que eu carregava. Pedi um carro por aplicativo e segui para a Asa Sul. No caminho, minha mente divagava entre o caos e a calma. Eduardo era a promessa de um futuro funcional, o bálsamo que eu deveria querer. Mas o calor, a urgência, a eletricidade que Rafael despertava era um vício que parecia impossível de quebrar. Mesmo em meio à crise, a lembrança do quadril dele pressionando o meu na mesa do escritório me fazia apertar as mãos. Não posso ter nenhum dos dois. Preciso de distância. Eu tinha decidido. A atração era forte, mas a autodestruição, mais forte ainda. Cheguei à casa dos meus pais. Toquei a campainha, e em segundos, minha mãe, Marisa, abriu a porta, os olhos marejados de alívio. — F
Ler mais