Rafael
Isadora apareceu na sala pouco depois das oito.
Não foi o horário que me chamou a atenção. Foi a forma.
Vestia um conjunto simples demais para ser simples. A saia justa marcava o corpo com uma precisão que não era inocente, e a blusa — discreta à primeira vista — tinha um decote mais profundo do que o habitual. Não vulgar. Estratégico. O tipo de detalhe que só se nota quando já se conhece cada linha do corpo por baixo do tecido.
E eu conhecia.
Ela caminhou com naturalidade, cumprimentou a equipe com um sorriso educado, profissional, como se nada tivesse acontecido. Como se eu não tivesse passado a madrugada inteira sentindo o gosto dela, o peso do corpo dela, a forma como se entregou sem resistência.
Aquilo não era descuido.
Era provocação.
Levantei os olhos do notebook lentamente, permitindo que meu olhar percorresse o corpo dela com frieza calculada. Isadora percebeu. Claro que percebeu. Mas não reagiu. Seguiu até a mesa, ajeitou alguns papéis, cruzou as pernas com um