Isadora
Rafael estava há quatro dias fora quando o mundo desabou.
Eu tentava manter a rotina de Sofia intacta, como se a normalidade fosse algo que pudesse ser preservado à força. Escola, horários, histórias antes de dormir. O sorriso dela era o único ponto estável naquela casa grande demais, silenciosa demais.
Naquela tarde, decidi levá-la ao shopping. Um passeio simples. Playground fechado. Segurança pessoal a poucos metros. Tudo calculado.
Nada poderia dar errado.
Sofia corria de um brinquedo a outro, rindo alto, feliz. O segurança estava atento. Eu observava cada movimento, cada criança, cada adulto que se aproximava.
— Isa, por favor… só um balão — ela pediu, apontando para o carrinho colorido no corredor ao lado.
Hesitei por um segundo.
— Fica aqui, tá? — avisei ao segurança. — É rapidinho.
Ele assentiu.
Foram segundos.
Talvez menos.
Quando voltei, o riso havia sumido. O brinquedo girava sozinho. O espaço parecia grande demais, vazio demais.
— Sofia? — chamei, senti