Rafael
Minha manhã começou com um esforço monumental para parecer indiferente à presença de Eduardo. O clique da porta da casa de hóspedes na noite anterior, seguido do silêncio, era um grito na minha cabeça. Ela preferiu a conversa calma dele, o afeto seguro. Preferiu a paz. Eu odiei a paz.
Quase não vi Isadora pela manhã, apenas quando ela atendeu um telefonema e sumiu da sala de repente.
Eu estava trancado em uma reunião de trabalho forçada com Eduardo no meu escritório. O clima era gelado. Falávamos de contratos, mas as palavras eram apenas pretextos para medir o território.
— ... o que exigirá uma reestruturação do fundo de garantia — Eduardo finalizou, sem me olhar.
— Inviável. — Fui curto.
Nossa reunião se arrastava há quase duas horas, mas eu não conseguia me concentrar nas cifras. Eu percebia o movimento no corredor. Uma sombra passava pela porta entreaberta a cada trinta segundos.
Finalmente, não aguentei mais.
— Se continuar assim, vai furar o chão com esse ritmo, Is