A sala de reuniões secundária parecia menor com aquela mesa tomada de papéis. Rafael fez questão de preparar o cenário com calma, quase como se montasse um tabuleiro. De um lado, a foto ampliada da fábrica, impressa em alta resolução, presa a uma prancheta para que ninguém fingisse que não via; ao lado, o laudo original da explosão, algumas páginas marcadas com caneta; mais à frente, a folha amarelada que Ingrid guardara por anos, protegida agora por um plástico, com a caligrafia apressada do marido morto; ao redor, relatórios financeiros, registros de acesso ao servidor antigo, datas circuladas em vermelho.Camila sentou-se à direita de Rafael, com o tablet à mão, os olhos firmes, mas o corpo atento a qualquer movimento do marido. Nicolás ocupava a outra ponta, na posição de observador que sabia exatamente onde interferir, se fosse preciso. A cadeira de frente para Rafael ainda estava vazia, puxada para trás alguns centímetros, como se a própria estrutura da sala estivesse esperando
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