CAPÍTULO 89 — O NOME QUE ELE PÕE NO PEITO

Quando a porta da sala de reuniões se fechou atrás do contador, o ar pareceu ficar mais pesado, não porque faltasse oxigênio, e sim porque havia informação demais em circulação. Nicolás saiu primeiro, levando o homem pelos corredores internos até um dos escritórios menores, onde iria organizar notas, registrar tudo de forma minimamente estruturada e impedir que algum “recado” oportuno o fizesse mudar de ideia antes da hora.

Camila continuou sentada, as mãos espalmadas sobre a mesa, encarando a foto da fábrica e o papel amarelado como se, de repente, fossem objetos vivos. Não sabia dizer se sentia frio, calor, raiva, alívio ou uma combinação disfuncional dos quatro. O pai, que durante anos tinha sido o rosto colado na palavra culpa, agora se mostrava como peça sacrificada em um jogo de herança e poder que nunca fora apresentado a ela.

Rafael não falou nada de imediato. Deixou alguns segundos passarem, ouviu o eco dos próprios pensamentos, até se afastar da cadeira e contornar a mesa pa
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