Quando Ingrid saiu do escritório, levando o envelope contra o peito como se protegesse um pedaço de vida, a porta se fechou devagar atrás dela e deixou no ar uma espécie de peso estranho, que não vinha de culpa nem de raiva apenas, e sim daquela sensação de que, enfim, não existia mais volta possível. Camila continuava sentada, com a mão no ventre, a outra ainda aquecida pelo toque da mãe; Rafael, atrás da mesa, não se moveu por alguns segundos, como se precisasse que o corpo entendesse o tamanho do que tinham acabado de fazer antes de se levantar.
— Ela vai aguentar — Camila disse, por fim, mais para si do que para ele. — Ela sempre aguentou. Agora, pelo menos, tem com o que lutar.
Rafael contornou a mesa e veio até ela, pousando a mão no ombro da mulher. O gesto não tinha pressa, só firmeza.
— Vocês duas aguentaram anos com uma versão incompleta de tudo isso — respondeu. — O mínimo que eu posso fazer é não virar as costas agora que a verdade começou a aparecer.
Camila inclinou o ros