O escritório ainda guardava o cheiro do confronto com Luna, um misto de perfume caro, papel recém-mexido e tensão que não tinha tido tempo de se dissipar. Rafael estava de pé diante da janela, com a camisa parcialmente aberta e as mangas dobradas, o olhar perdido na plantação lá embaixo, mas o corpo inteiro pronto para se virar se alguém ousasse abrir a porta sem aviso. Camila ocupava a poltrona em frente à mesa, com as pernas puxadas de lado, uma mão apoiada no braço da cadeira e a outra descansando sobre o ventre, como se precisasse o tempo todo lembrar a si mesma que não era apenas ela naquela guerra.
O silêncio entre eles não era de afastamento, e sim de digestão. Cada um repassava, à sua maneira, as últimas horas: Ingrid assinando a própria culpa e pedindo uma segunda chance, a decisão de cortar o fluxo de dinheiro sujo, Luna com o sorriso rachando quando ouviu, pela primeira vez na vida, o irmão dizer que a levaria à polícia se fosse preciso.
— Se você fizer isso mesmo… — Camila