Camila acordou antes do despertador, sem saber que horas eram, apenas com a sensação de que o corpo tinha descansado menos do que merecia. O lençol ainda guardava o cheiro do banho, do sexo, da pele de Rafael misturada à dela, mas o lado dele já estava frio. O quarto tinha aquela luz baça de começo de manhã, nem clara o suficiente para animar, nem escura o bastante para permitir que ela fingisse que a noite não tinha acabado.
Passou a mão pelo lugar onde ele deveria estar e encontrou apenas o tecido amassado. O estômago contraiu em reflexo antigo, o mesmo medo que sentia quando, criança, acordava e percebida que o pai já tinha saído para o turno, sem barulho de porta batendo, sem aviso. Inspirou fundo, levou a mão ao ventre e sussurrou, num pensamento que não virou palavra: eles ainda estavam ali, ela e o bebê, e Rafael não era homem de sair escorregando pela fresta.
Levantou devagar, sentindo um peso maior nas pernas, e foi até o banheiro para lavar o rosto, prendendo o cabelo num co