A casa ainda guardava o eco da visita quando Helena voltou a ocupar a sala, agora sem policiais ao redor. A pasta repousava fechada, e Rafael permaneceu de pé, encostado no aparador, tenso demais para pensar em sentar.— Vamos retomar só a parte do confronto — disse Helena, num tom profissional, sem rodeios. — Preciso de precisão.Herrera se afastou discretamente. Nazaré levou o bebê para o quarto. Camila ficou, a certa distância, apoiada no batente da porta, tentando parecer neutra. Não conseguiu.Helena começou com perguntas objetivas. Horário exato. Posição de cada um. Distância entre os corpos. Rafael respondeu com frases curtas, diretas, como quem já prestara esse tipo de relato antes. A voz saiu firme, sem hesitação.— Quando Aldo caiu, você avançou ou recuou? — perguntou ela.— Avancei — respondeu Rafael. — Ele ainda tinha a faca.Helena anotou, sem olhar para ele.— E o ferimento no pescoço?Rafael levou a mão ao curativo, um gesto automático.— A corrente — disse. — Atrito e
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