Rafael não saiu da sala com Helena porque quis. Saiu porque o telefone dela tocou, porque havia papéis espalhados sobre a mesa do escritório improvisado, porque o delegado aguardava respostas formais e porque, naquele mundo dele, dever ainda falava mais alto do que qualquer desconforto emocional.
Helena pediu ajuda com naturalidade.
— Preciso revisar uns documentos antigos da transportadora — disse, já abrindo a pasta de couro. — Tem coisa aqui que não fecha. E você conhece essa história melhor