Camila desceu o corredor com passos lentos, o bebê já entregue a Nazaré, o corpo pedindo ar como se a casa tivesse encolhido outra vez. Não era o bunker, nem as cercas, nem o medo físico. Era algo mais sutil, mais traiçoeiro, uma sensação de deslocamento que vinha crescendo desde a chegada de Helena.Ela não procurava conversa. Não queria ouvir nada. Só atravessar a ala administrativa e voltar. Mas as vozes escapavam pela porta aberta do escritório auxiliar, e o hábito de cautela fez Camila diminuir o passo antes mesmo de perceber.Reconheceu a voz de Herrera primeiro. O tom organizado, técnico, de quem tenta manter tudo sob controle. A outra voz veio em seguida, baixa, segura, feminina de um jeito que não pedia espaço porque sempre teve.Helena.Camila parou a alguns metros da porta, sem intenção consciente de escutar. O corpo apenas parou.Herrera dizia algo sobre prazos, termos, registros antigos. Helena respondia com clareza, citando detalhes que só alguém muito próximo da históri
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