Lyria atravessou a passagem sem olhar para trás.Não porque não sentisse medo, mas porque compreendia, com uma clareza dura e irreversível, que certos caminhos deixam de existir no instante em que se entende demais. A escuridão à frente não era total; havia nela uma densidade viva, como se o próprio espaço estivesse em alerta. Cada passo ecoava de forma irregular, não como som, mas como intenção.O ar tornava-se mais quente à medida que avançava, carregado de um cheiro metálico, antigo, semelhante ao de pedra que sangra. O corpo reagia antes da mente. Seus ombros estavam tensos, os dedos das mãos levemente contraídos, prontos para uma defesa que talvez não existisse mais.Ela sentia.Essa era a diferença.Não como antes. Não com a fluidez que aprendera a dominar, nem com a força bruta que tantas vezes fora exigida dela. Agora, sentir era mais profundo, mais intrusivo. Emoções, memórias e possibilidades atravessavam sua consciência sem pedir permissão, como correntes subterrâneas que s
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