Lyria acordou com a sensação incômoda de que algo dentro dela havia mudado durante a noite. Não era dor. Não era medo. Era um vazio diferente, silencioso, como se uma parte essencial tivesse sido deslocada sem pedir permissão. O teto de pedra acima de sua cabeça parecia mais baixo, mais pesado, como se o mundo estivesse lentamente se inclinando sobre ela.
O ar estava frio. Não o frio comum das cavernas profundas, mas um frio que parecia nascer de dentro da própria rocha, carregado de memória e advertência. Ela se sentou devagar, sentindo o corpo responder com atraso. Cada músculo parecia lembrar de algo que sua mente ainda não alcançava.
O silêncio era absoluto.
Nenhum eco. Nenhum sussurro do vento. Nenhuma vibração do mundo além daquele espaço. Lyria percebeu, com um arrepio tardio, que estava completamente isolada. O vínculo que antes sentia — aquela linha invisível que a conectava às forças ao redor — estava enfraquecido. Não rompido, mas distante. Como uma voz que se escuta atravé