O silêncio não era vazio.Era denso.Tinha peso. Tinha memória. Tinha intenção.Luna percebeu isso antes mesmo de abrir os olhos.Havia silêncios que descansavam. Outros que protegiam. Mas aquele… aquele era o tipo de silêncio que observava. Como se o próprio ar estivesse atento a cada micro movimento seu, esperando uma decisão que só ela poderia tomar.Ela permaneceu imóvel por alguns segundos — talvez minutos. Não porque estivesse com medo, mas porque sabia. Sabia que, a partir daquele instante, qualquer gesto simples teria consequência.Quando abriu os olhos, a luz entrava pela fresta da cortina como uma lâmina fina, dourada, cortando o quarto em duas partes desiguais. O mundo continuava ali fora, indiferente. Mas dentro dela, algo havia mudado de lugar durante a noite.Ela sentou devagar na beira da cama, sentindo o chão frio sob os pés. O corpo estava inteiro, mas a mente… a mente ainda organizava os ecos do que fora dito — e, principalmente, do que não fora dito.Havia frases qu
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