A madrugada avançou devagar, como se o tempo tivesse aprendido a andar no ritmo da fazenda. O som do violão cessou aos poucos, e o silêncio voltou a ocupar os espaços — não vazio, mas cheio de significados que já não doíam como antes.Isabella foi a última a se levantar da varanda. Antes de entrar, olhou mais uma vez para o terreiro iluminado pela lua. Pensou no avô, em quantas noites ele deve ter passado ali, sentado no mesmo lugar, vigiando o mundo enquanto todos dormiam. Pela primeira vez, não sentiu a ausência como um rasgo, mas como uma presença que mudara de forma.No quarto, deitou-se sem apagar a luz. O cansaço estava ali, pesado nos músculos, mas o sono demorou. Pensava no dia seguinte, nos próximos meses, em tudo o que ainda precisaria aprender. Pensava também em Rafael — na calma dele, na maneira como parecia ocupar os espaços sem exigir nada. Aquilo a assustava um pouco, mas também a aquecia.Do outro lado da casa, Rafael também permanecia acordado. Sentado na cama, o viol
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