Luana POVA chuva cessara há dias, mas o cheiro da tempestade ainda pairava sobre a costa do País B. O mar ali tinha outra cor — escuro, quase metálico, como se refletisse segredos. Luana Monteiro observava as ondas através do vidro fosco do bunker subterrâneo, sentindo o eco distante dos trovões que pareciam existir apenas dentro dela.Bruna trabalhava em silêncio sobre um emaranhado de cabos e chips, o rosto iluminado pelo brilho esverdeado das telas. Henrick vigiava a entrada, com a velha pistola presa ao coldre e o olhar atento. E, num canto da sala, encostado à parede, Ethan Genevesse permanecia imóvel — o capuz abaixado, os olhos voltados para o nada.Desde que ele reaparecera duas semanas antes, a atmosfera se tornara densa, quase elétrica. Luana ainda lembrava o primeiro instante em que o vira novamente — não na chuva, mas no silêncio do esconderijo, quando ele atravessara a porta com as mãos vazias e o olhar diferente.Naquele momento, soube que algo nele havia mudado.
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