Narrado por Anya PetrovaA tarde estava fria, mas o céu, limpo. Aquele tipo de azul que a gente só vê em Moscou depois de uma nevasca. O carro preto parou diante da mansão, e antes mesmo da porta se abrir, meu coração já reconhecia o som dos passos dele.Dmitri.Fazia pouco tempo que ele havia partido para a Itália, mas parecia uma eternidade. Desde a hora que ele saiu, o silêncio da casa pesava diferente. Era como se o ar tivesse perdido o cheiro dele.E agora, vendo ele descer do carro, com aquele olhar cansado, o sobretudo escuro e o jeito firme de sempre, uma mistura de raiva e alívio tomou conta de mim.Anya: — Finalmente.Ele sorriu, aquele sorriso contido, de quem guarda as emoções como se fossem armas perigosas.Atravessou o jardim sem pressa, os olhos presos em mim o tempo inteiro, até parar na minha frente.Dmitri: — Achei que você fosse me matar quando eu voltasse.Anya: — Pensei em te matar, sim. Mas você está inteiro… então talvez eu deixe para depois.Ele riu baixo, e só
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