Narrado por Catarina SmirnovaO jardim parecia outro país. As heras trepavam nos arcos como se quisessem costurar o céu à terra; lanternas âmbar pendiam dos galhos, e um corredor de pétalas levava até uma mesa baixa de madeira escura, onde repousava o livro da família — couro gasto, canto de metal, o selo do conselho em relevo. O ar cheirava a jasmim e a noite nova. Eu parei um segundo antes de dar o primeiro passo e entendi: eu não estava fugindo de nada; estava caminhando em direção a algo.O vestido que Irina improvisou em urgência parecia ter sido feito para mim: seda creme, mangas leves, cintura marcada. O cabelo ruivo preso de lado, a pele ainda com sombras do que passei, mas limpa, firme, minha. Quando avancei pelo corredor de pétalas, vi rostos que um dia temi e hoje precisava encarar. O conselho ocupava a primeira fileira: olhos atentos, bocas contidas. Polina e Darya estavam mais atrás, juntas, discretas. E ali, à esquerda, Anya — barriga desenhada sob o vestido, postura tra
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