Narrado por Catarina Smirnova
Meu rosto ainda ardia.
Cada vez que o vento da madrugada tocava minha pele, eu lembrava do tapa.
O gosto de sangue ainda estava na minha boca, e o eco da voz do meu pai… ainda rodava dentro da minha cabeça como uma maldição.
“Você vai se casar com Marcello.”
Essas palavras não saíam da minha mente.
Eu sabia o que aquilo significava.
Não era só um casamento. Era uma sentença.
E eu não ia cumprir.
Levantei da cama com o coração disparado.
A mansão estava em silêncio — pesado, tenso, o tipo de silêncio que antecede tragédia.
A luz do corredor passava por baixo da porta, fraca, e eu podia ouvir os passos dos guardas lá fora, de vez em quando.
Eles estavam sempre ali, dois de cada lado, vigiando cada movimento.
Minha mãe dormia no quarto ao lado. Ou tentava.
Eu sabia que ela estava acordada, rezando baixinho, como sempre fazia quando não tinha mais forças pra lutar.
Peguei uma calça jeans, um casaco, e enfiei os documentos e algum dinheiro dentro da mochila.
O