Narrado por Mikhail Volkovsky
O som dos motores do jato particular era o único ruído constante na cabine. Um zumbido grave, ritmado, que se misturava ao cansaço de quem passou dias em campo, cheirando a pólvora, sangue e raiva. Estávamos deixando a Itália para trás, e nada no ar parecia leve.
Dimitri estava sentado do outro lado da mesa, com o olhar fixo na janela. O vidro refletia o rosto dele — frio, imóvel, o tipo de expressão que antecede decisões que custam vidas. Entre nós, duas taças de uísque que ninguém tocava.
Mikhail: — Ele fugiu.
Dimitri: — Sim. Mas não por muito tempo.
Mikhail: — Yakov é um rato. Sempre foi. E o pior é que ele conhece cada movimento nosso.
Dimitri: — Conhece, mas subestima. E esse é o erro que vai matar ele.
Ele virou a taça, finalmente bebendo um gole. O uísque dourado refletiu a luz da cabine. A paciência dele tinha limite — e Yakov estava muito perto de estourar essa linha.
Mikhail: — A gente devia ter atirado nele na escola, quando teve a chance.
Dimi