Narrado por Dimitri Volkov
O relógio marcava quase duas da manhã. O hotel era silencioso, isolado entre colinas e vinhedos, com seguranças nossos espalhados pela propriedade.
Mikhail estava de pé, encostado na janela, observando o breu da noite italiana. O laptop aberto em cima da mesa mostrava a planta da mansão dos Smirnova. O rosto dele estava tenso — o mesmo olhar de quando vai pra guerra, só que agora o inimigo tinha nome: Yakov.
Eu me sentei na poltrona, copo de uísque na mão, e fiquei estudando ele por um tempo.
Sabia o que se passava na cabeça dele. Amor antigo. Amor que nunca foi correspondido — o tipo que a gente tenta enterrar, mas sempre volta pra assombrar.
Dimitri: — Você sabe que, quando voltarmos pra Rússia, vai ter que se casar com ela.
Mikhail: — Eu sei.
Dimitri: — E tá preparado pra isso?
Mikhail: — Tô.
(olhou pra mim)
Mikhail: — Você me conhece, Dima. Eu nunca escondi o que sentia pela Catarina. Só não insisti porque ela escolheu o caminho que achou que a tornaria