Narrado por Catarina Smirnova
A neve derretia no vidro da janela, escorrendo em linhas finas, como se o céu chorasse por mim. Fazia apenas dois dias desde que Dimitri e Mikhail me tiraram do inferno, e ainda assim eu não sabia como respirar dentro daquela nova realidade. A mansão Volkovsky era imensa, fria e organizada demais para alguém que passou semanas trancada, ouvindo ameaças e promessas nojentas.
Bati na porta do escritório dele com os dedos tremendo.
Catarina: — Posso entrar?
Mikhail: — Claro.
Ele estava de pé, próximo à janela, o paletó jogado na poltrona e as mangas da camisa dobradas. Tinha olheiras fundas, o cabelo um pouco bagunçado, e mesmo assim era o homem mais imponente que eu já tinha visto. Quando virei o rosto, ele sorriu de leve — um sorriso que não alcançou os olhos.
Catarina: — Então… é aqui que eu vou morar agora?
Mikhail: — É. Por enquanto. É o lugar mais seguro da Rússia.
Sentei na beirada da mesa, sem coragem de encarar. A garganta arranhava. Tudo em mim ain