A DESCONSTRUÇÃO DO DOMINADOR Jeffrey me olhou como só ele sabia olhar: direto, sem piscar, sem desviar um milímetro, como se estivesse atravessando a minha carne e enxergando a minha alma. Tentei dar uma risada curta, tentei desviar o olhar para a janela, tentei usar a minha postura habitual de chefe inalcançável, mas aquele olhar de irmão não me deixava escapar. — Primo, vou te dizer uma coisa, e eu espero do fundo do peito que você ouça com o coração aberto: para você ter uma mulher de verdade ao seu lado, você não precisa que ela assine um contrato de submissão. Revirei os olhos, ajeitando as abotoaduras do terno e soltando um bufado de impaciência: — Ah, Jeffrey, pelo amor de Deus, não começa com esse papo moralista... Ele ergueu a mão espalmada, me cortando no ato com uma autoridade que raramente usava: — Escuta, Adán! A submissão que você tanto procura e exige não está presa num papel timbrado, não está numa coleira de couro de grife, nem numa máscara de coelhinha. A submis
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