BROOKEA pipoca já tinha passado do ponto ideal, mas ninguém reclamou.Blanca estava esticada no sofá, pernas cobertas pela manta, segurando o balde como se aquilo fosse um escudo emocional. Na TV, alguma comédia romântica previsível demais tentava convencer a gente de que tudo sempre se resolve em duas horas, com trilha sonora fofa e beijo final.Mentira.Eu estava sentada no chão, encostada no sofá, mexendo distraída no celular sem realmente ver nada. A casa cheirava a manteiga, açúcar e aquele silêncio confortável de quem evita certos assuntos por pura sobrevivência.— Esse filme é horrível — Blanca comentou, sem tirar os olhos da tela.— Você que escolheu — respondi.— Eu escolhi porque é horrível. — deu de ombros. — É reconfortante.Ri pelo nariz. Era isso. Coisas ruins, mas conhecidas, doíam menos.O filme seguiu mais alguns minutos, até Blanca pausar do nada.— Brooke.Só meu nome. Nada mais.Meu corpo inteiro ficou atento. Quando Blanca me chamava assim, sem piada, sem ironia…
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