CONNOR
Eu parei o carro em frente à casa dele e fiquei ali alguns minutos com o motor desligado, as mãos apoiadas no volante, olhando para a luz acesa da varanda como se fosse um aviso.
Última chance de ir embora. Última chance de não ouvir verdades.
Não fui.
Bati à porta sem pensar demais, porque se pensasse, fugiria. Ele abriu quase imediatamente, como se já estivesse me esperando. Camisa simples, mangas dobradas, o mesmo olhar que me acompanhou por décadas — aquele que enxergava além do que eu dizia.
— Entra — disse apenas.
Nenhum abraço. Nenhuma pergunta.
Isso doeu mais do que qualquer grito.
Ele não parece mais meu amigo. Ele parece um estranho. Frio, distante e com raiva. Eu consegui foder tudo.
A sala estava silenciosa, organizada demais. Cheirava a café velho e responsabilidade. Sentei no sofá de sempre, aquele onde já dormi bêbado demais, ferido demais, quebrado demais. Ele sentou na poltrona à minha frente, cruzando os braços.
— Então — falou. — Você conseguiu piorar tudo.
S