BROOKE
Eu estava sentada no chão da sala quando ouvi a campainha.
Literalmente no chão, encostada no sofá, um copo de vinho esquecido na mão e a cabeça vazia de qualquer pensamento útil. Esse era o estado da mulher forte, decidida, que tinha encerrado um caso com o noivo da própria irmã horas antes. Parabéns pra mim.
A campainha tocou de novo.
Suspirei fundo, já irritada. Pensei em ignorar. Pensei em fingir que não estava em casa. Pensei em tudo, menos no que realmente aconteceu quando me levantei e abri a porta.
Blanca.
Os olhos inchados. O rosto manchado de choro. O cabelo jogado de qualquer jeito sobre os ombros. Ela segurava uma garrafa pela metade como quem segura um colete salva-vidas furado.
Meu coração simplesmente… cedeu.
— Posso entrar? — ela perguntou, a voz baixa, quebrada.
Meu corpo se moveu sozinho, abrindo espaço. Sempre assim. Sempre deixando ela entrar. Em tudo.
— Claro.
Ela passou por mim sem dizer mais nada, largou a bolsa em cima da mesa e foi direto para a cozinha