CONNOR
A casa do pai delas sempre teve esse cheiro de café forte e madeira antiga. Um cheiro que não muda com o tempo, diferente das pessoas.
Eu estava sentado à mesa da cozinha com o pai delas, as mãos em volta da xícara já fria. Não tinha bebido quase nada.
— Você fez o que tinha que fazer — ele disse, sem rodeios. Sempre foi assim comigo. — Pediu a transferência, se afastou… Isso é mais do que muito homem faria. Não estou dizendo que você agora é um homem correto, mas fez a escolha certa.
Assenti devagar, olhando para o fundo da xícara como se houvesse alguma resposta ali.
— Não parece certo — falei. — Parece só menos errado.
Ele soltou um meio sorriso cansado.
— Às vezes é tudo que a gente consegue.
Fiquei em silêncio. Ele sabia. Sempre soube. Não de detalhes, não de cenas, mas da essência da coisa. Da confusão. Da linha que eu tinha cruzado.
— Blanca não merece ser enganada — continuei. — E a Brooke… — minha voz falhou por um instante. — A Brooke não merece carregar isso sozinha