Connor
Eu não devia estar ali.
Essa era a verdade nua, crua, latejando atrás dos olhos enquanto eu mantinha as mãos apoiadas na mesa para não tremer.
Brooke estava a menos de dois metros de mim.
Dois metros sempre foram pouca coisa. Sempre foram tudo.
Mas naquela noite, aqueles dois metros eram um abismo moral, emocional, existencial. Um espaço onde eu tinha escolhido me mutilar em silêncio.
Eu falava com Blanca. Eu olhava para Blanca. Eu respondia a Blanca.
Mas tudo em mim reagia a Brooke.
O jeito como ela mantinha o corpo rígido, como se qualquer relaxamento fosse um convite ao colapso. O olhar firme demais para alguém que estava se desfazendo por dentro. O tom controlado — aquele tom que eu conhecia tão bem, usado só quando ela estava tentando sobreviver.
Ela não precisava dizer nada.
Eu sentia.
Cada palavra que eu dizia para salvar meu casamento passava primeiro por ela. Como um pedido de desculpas mudo. Como uma facada consciente.
Eu estava tentando consertar algo… na frente da m