BROOKEA cadeira faz um barulho leve quando eu me sento. Alto demais para o meu estado. Blanca não reage. Continua me olhando com a mesma calma desconcertante, como se aquele encontro não tivesse sido ensaiado mil vezes dentro de mim.Ela está diferente.Não é o cabelo, nem a roupa. É o jeito como ocupa o próprio corpo. Blanca sempre teve presença, mas agora há algo assentado, firme, como quem voltou a caber em si.— Você parece… bem — escapa de mim antes que eu consiga filtrar.Ela sorri. Não aquele sorriso educado de antes. Um de verdade, que começa nos olhos.— Eu estou.Aquilo me desmonta um pouco. Porque eu vim preparada para lágrimas, acusações, silêncios pesados. Não para paz.— Quer um café? — ela pergunta, apontando para o balcão.— Já pedi — respondo rápido demais. — Logo chega.Ela assente, tranquila. Cruza as mãos sobre a mesa. O anel no dedo esquerdo brilha quando a luz bate. Meu olhar vai direto para ele, traidor.Ela percebe.— Casei — diz, simples, como quem comenta o
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