A Paixão de Infância Dele Me Humilhou
Eu era dócil demais. Quando me maltratavam, só sabia me esconder e chorar.
Meu namorado, Durval Arantes, tinha pena de mim. Temia que eu engolisse desaforos calada e sempre queria comprar briga por mim. Mas eu pedia que deixasse para lá.
Até que Joyce Lemos, sua paixão de infância, disse:
— Raimunda, eu te entendo. Também já fui sonsinha. Basta derramar umas lágrimas para transformar todos em vilões. Antes de você, Durval tinha várias pretendentes. Foi assim que venceu todas e ficou com ele, não foi?
Olhei para Durval, mas ele apenas sorriu:
— Joyce é direta, mas não faz por mal.
Com o aval dele, Joyce passou a me atacar.
Num jantar com amigos, jogou água em mim de propósito. Enquanto eu procurava um guardanapo, constrangida, ela debochou em voz alta:
— Durval, olha sua namorada sonsinha! Faz todo mundo pensar que joguei água nela de propósito. E ainda veio com roupa transparente para exibir o corpo, não é?
Durval ia pegar um casaco para me cobrir, mas mudou de atitude na hora.
O encontro terminou em clima pesado.
Tentei evitar Joyce, mas ela me acusou de não querer socializar e levou amigos para procurar Durval e a mim.
Depois do jantar, Durval notou que minha aliança de compromisso tinha sumido.
Joyce a tirou do próprio bolso:
— Raimunda, se não gosta de mim, diga logo! Você colocou sua aliança no meu bolso às escondidas para me acusar de roubo? Se Durval e eu quiséssemos ficar juntos, você nunca teria tido chance. Que teatrinho ridículo!
Durval ficou irritado como raramente ficava:
— Raimunda, peça desculpas à Joyce.
Ao ver que ele tinha certeza de que eu era culpada, senti uma dor aguda no peito.
Naquele instante, percebi que talvez não houvesse mais motivo para continuar aquela relação.