Narrativa: Lisa Deluca
O sol da Toscana entrava pelas janelas do quarto, espalhando luz dourada sobre o chão de madeira. Pela primeira vez em meses, consegui abrir os olhos sem sentir a dor apertando meu peito como se cada batida fosse um lembrete cruel do meu corpo debilitado. A sensação era estranha, quase desconcertante. Um sopro de vida, ténue, mas presente, percorria minhas veias como se me convidasse a respirar mais fundo, a sentir mais, a viver de novo.
Levantei-me lentamente, apoiando-me na bengala que ainda precisava para equilibrar meu corpo cansado. Cada passo era uma vitória, mesmo que pequena. O chão frio sob meus pés nus me lembrava que eu ainda existia, que ainda havia algo em mim capaz de caminhar, de tentar. Elena estava ao meu lado, como sempre, silenciosa, vigilante. Não havia necessidade de palavras; sua presença era suficiente para me transmitir segurança. Um olhar seu bastava para que eu soubesse que ela não esperava que eu fosse perfeita, apenas que fosse eu mes