Quando Helena cruzou a porta, a noite a recebeu com braços frios. O som dos próprios passos ecoava entre os prédios, misturado ao ritmo irregular de sua respiração. Ela não olhou para trás. Não por força — mas porque sabia que, se o fizesse, não conseguiria sair.
Havia algo no jeito como Lucky a segurara que pesava mais que os braços dele. Algo invisível, viscoso, entranhado nas palavras que ele não disse. Um pedido disfarçado de abraço. Um aviso disfarçado de amor.
As ruas pareciam mais es