Capítulo 2 )
Clara narrando Sou Clara, tenho 24 anos, 1,53m de altura, cabelos pretos e pele branca. Perdi meus pais muito jovem e precisei aprender a me virar sozinha. Minha vida nunca foi fácil, mas encontrei em dona Marta um porto seguro. Tenho por ela um amor incondicional. Quando comecei a trabalhar na loja de roupas da família, achei que estava fazendo o certo. Mas não era aquilo que me fazia feliz. Meu coração sempre pertenceu às crianças. E então, conheci Sofia. Cinco anos atrás, uma bebê pequena, indefesa e carente de amor. Desde o primeiro instante, meu coração foi dela. E, desde então, faço tudo por aquela menina. Agora, vejo Lucas pela primeira vez. Ele a observa de longe, tentando decifrar algo. Seu olhar é firme, avaliador. Ele é alto, forte, tem um jeito sério que me intimida um pouco. Mas não me afasto. Eu nunca me afasto de Sofia. — Quero conversar com você depois — ele diz, sua voz grave e cheia de autoridade e arrogância. Engulo em seco, sem entender o motivo da tensão que suas palavras carregam. — Sobre o quê? -- pergunto — Minha filha. - ele diz Meu coração aperta. Sei o que ele quer. Ele quer recuperar o tempo perdido. Quer ser um pai presente. E, talvez, queira descobrir por que Sofia se apega tanto a mim. Mas ele não entende. Eu não sou só uma babá. Eu sou parte da vida dela. E não vou permitir que ele tire isso de mim. ( ... ) A noite chega, e eu continuo inquieta. Lucas quer conversar. Desde o momento em que ele me olhou daquela forma avaliadora, não consigo tirar isso da cabeça. Passei os últimos cinco anos ao lado de Sofia, dando amor, cuidado e proteção. Nunca pensei que um dia teria que provar meu valor para alguém. Mas agora, com Lucas de volta, sinto que preciso. E isso me assusta. Estou no quarto de Sofia, sentada na beira da cama enquanto ela brinca com um dos seus bichinhos de pelúcia. — Você gostou de ver seu pai hoje? — pergunto, tentando manter a voz neutra. Sofia levanta os olhos para mim e sorri. — Sim. Mas ele vai embora de novo? - diz com a voz um pouco triste Meu coração aperta. — Acho que não, minha pequena. Ele disse que vai ficar. Ela franze o cenho, pensativa, e depois se aconchega no meu colo, do jeito que sempre faz antes de dormir. — Mas você não vai embora, né, Cla? Engulo em seco. — Nunca, Sofia. Eu sempre vou estar aqui. - dou um sorriso Ela sorri e fecha os olhinhos, se rendendo ao sono. Fico ali por mais alguns minutos, ouvindo sua respiração tranquila, antes de me levantar e sair do quarto. No corredor, dou de cara com Lucas. Ele está encostado na parede, braços cruzados, como se já estivesse me esperando. Seus olhos escuros me analisam com intensidade... me olha por um tempo sem dizer nada, como se tivesse me avaliando e avaliando a minha reação.