Angeline se tornou, nas mãos das mulheres, um boneco sem vida. Levaram-na ao banheiro, tiraram suas roupas. Nos braços, as marcas dos dedos de Marco e de Rubens, roxas, evidentes. As mulheres trocaram olhares silenciosos, de pena, sem que ela percebesse.
Imóvel e em silêncio, Angeline permitiu que a trocassem. Deixou que arrumassem seus cabelos, mas seus olhos não secavam, tentavam maquiá-la, mas os olhos de Angeline não paravam de chorar. Sua mente estava vazia, preenchida apenas pelo eco do tiro e pelas palavras de seu pai:
“Seja obediente.”
Um sorriso sarcástico escapou de seus lábios ao lembrar do pai, frouxo, inútil, vendo Marco arrastá-la sem mover um dedo para defendê-la.
Ele estaria no casamento?
Teria coragem de aparecer?
Ele sabia sobre Dante? Sabia que Marco o matara?
— Terminamos. A voz de uma das mulheres cortou o transe de Angeline.
Ela olhou para o espelho. Viu o vestido que Marco havia escolhido.
E lembrou-se de Dante no provador.
As lágrimas transbordaram novamente.