Rafael
Quando saí do banheiro, o corredor parecia mais frio, mais silencioso, como se a adrenalina ainda estivesse presa no meu corpo.
Minhas mãos tremiam levemente não de medo, mas de contenção. Eu não lembrava a última vez que tinha socado alguém com tanta vontade.
Caminhei firme até o estacionamento e abri a porta do carro. Sentei no banco do passageiro, soltei o ar devagar, tentando me recompor.
A porra do noivo da Renata.
Meu maxilar ainda doía de tanto apertar os dentes.
Encostei a cabeça no apoio e fechei os olhos.
Pouco tempo depois, a porta do motorista abriu.
Antony entrou, bufando alto.
— Cara… você me dá trabalho ele disse, jogando o bolo de casamento no banco de trás como se fosse um lixo tóxico. Eu tive que inventar uma desculpa absurda pro noivo não ir atrás de você no estacionamento.
Não respondi.
Só girei o pescoço, aliviando a tensão que estalava nos músculos.
Antony ligou o carro, olhou pra mim de lado e soltou um suspiro longo.
— Tá bom. Me conta. O que o idiota