Daniel caiu na gargalhada.
— Muito bem! Você ama mesmo ela!
Em seguida, fez um sinal para seus homens.
Eles soltaram as cordas de Helena e empurraram ela até a pequena porta que levava a um lugar seguro.
Helena desceu as escadas da torre quase tropeçando e correu para os braços de Ricardo, chorando sem parar.
Com um sorriso cruel, Daniel se aproximou de Patrícia.
— Então, adeus, Patrícia!
Atiradores escondidos nas sombras da torre dispararam.
As balas atingiram pontos vitais de Daniel e de vários de seus homens.
O corpo de Daniel enrijeceu.
Seus olhos ainda guardavam uma satisfação enlouquecida quando ele começou a cair para trás.
Antes de morrer, reuniu as últimas forças e empurrou Patrícia, que já estava com metade do corpo para fora.
Ricardo viu quando ela despencou da torre.
— Patrícia!
O impacto contra o chão produziu um som surdo.
Ela caiu sobre as pedras, estremeceu uma vez e ficou imóvel.
Ricardo sentiu como se uma mão invisível esmagasse seu coração.
A dor tirou seu fôlego, e ele correu, desesperado.
— Patrícia! Patrícia!
Caiu de joelhos e pegou ela nos braços com todo o cuidado.
Patrícia estava pálida, com os olhos fechados e sangue escorrendo pelo canto da boca.
Pelo menos, ainda respirava.
— Chamem o médico! — Ricardo gritou, rouco, tomado por um pânico que nunca tinha sentido.
— Ricardo...
Helena se aproximou, mas soltou um gemido.
Um fio de sangue apareceu em sua boca, e seu corpo cedeu.
Ricardo se assustou.
— O que aconteceu?
Quase sem fôlego, Helena segurou a manga dele.
— Daniel me obrigou a engolir uma pílula... Eu vou morrer? Não se preocupe comigo. Cuide de Patrícia primeiro...
Ricardo olhou para Patrícia, que ainda respirava em seus braços, e depois para Helena, com sangue na boca.
Não conseguia decidir.
Patrícia tinha caído, mas talvez não estivesse tão gravemente ferida.
Ricardo se obrigou a acreditar que ela sobreviveria.
Já Helena tinha recebido um veneno desconhecido.
Por fim, ele colocou Patrícia no chão com cuidado e gritou para os guardas que se aproximavam:
— Levem Patrícia de volta e chamem um médico imediatamente! Eu vou logo atrás!
Pegou Helena nos braços e correu para o palácio mais próximo.
— Onde está o médico?!
Os guardas levaram Patrícia às pressas.
Um médico já esperava por ela e começou o atendimento de imediato.
Depois de um exame cuidadoso, ele respirou aliviado.
— Por sorte, a queda foi amortecida. Pelo que consegui verificar, não há fraturas. Os ferimentos parecem ser principalmente externos, mas precisamos observar se existe alguma lesão interna.
O médico fez os curativos e logo conseguiu estancar o sangue.
Estava prestes a orientar os criados a continuar observando o estado de Patrícia quando, sem nenhum aviso, ela vomitou uma grande quantidade de sangue.
Depois, aconteceu de novo. E mais uma vez.
O sangue manchou a camisola limpa que tinham acabado de colocar nela e cobriu as mãos do médico.
— O que está acontecendo?!
A expressão dele mudou. O médico voltou a examinar Patrícia às pressas.
O pulso estava irregular e fraco. Seus sinais vitais pioravam rapidamente.
— Ela estava estável agora mesmo. Como pode...
O quarto virou um caos.
As criadas gritavam de medo, e o médico tentava uma medida de emergência após a outra, sem resultado.
Em meio à dor, a consciência de Patrícia começou a se apagar.
Ela sabia: a pílula estava fazendo efeito, exatamente na hora certa.
Deitada, observou os ornamentos acima da cama, cada vez menos consciente.
Por fim, o médico afastou os dedos do pulso dela. A mão dele tremia.
Pálido, recuou devagar.
— Avisem Sua Majestade... A Sra. Patrícia morreu!
Patrícia fechou os olhos com um vestígio de sorriso nos lábios.
"Finalmente estou livre."