Short
Você Escolheu Me Perder

Você Escolheu Me PerderPT

Zezé  concluído
goodnovel4goodnovel
26Capítulos
231leituras
Ler
Adicionado
Resumo
Índice

Ricardo se tornou imperador. Pouco depois, desfez à força seu casamento com Patrícia Silva e se casou com Helena Silva, fazendo dela a imperatriz. Patrícia, que tinha enfrentado ao lado dele toda a disputa pelo trono, recebeu apenas o título de Consorte Imperial. No dia em que a notícia chegou ao Palácio Lua Prateada, o silêncio tomou conta de tudo. Os criados mantinham a cabeça baixa e até evitavam fazer barulho ao respirar. Temiam que Patrícia caísse no choro, quebrasse tudo o que visse pela frente ou simplesmente não suportasse a humilhação de ter sido deixada de lado. Mas ela aceitou a decisão com tranquilidade. Sua voz e seu rosto não demonstravam nenhuma emoção. Nem mesmo seus belos olhos revelavam o menor sinal de tristeza. Patrícia voltou para o quarto e continuou lendo, como se a decisão de rebaixar ela a Consorte Imperial não tivesse nada a ver com ela. Sete dias depois, Ricardo fez uma de suas raras visitas ao Palácio Lua Prateada.

Ler mais

Capítulo 1

Capítulo 1

Ricardo usava um traje de gala com um brasão bordado em fios de ouro.

A postura ereta e a expressão fria faziam com que parecesse inacessível, mesmo ali, no mesmo cômodo.

Ele perguntou em voz baixa:

— Patrícia, tem alguma coisa a dizer sobre a minha decisão?

Patrícia se levantou depressa e fez uma pequena reverência, dobrando levemente os joelhos.

— Não. Você deve ter seus motivos para escolher Helena como imperatriz. Eu... não tenho nada contra.

Ricardo franziu a testa ao ver a serenidade dela.

Tinha imaginado que o silêncio dos últimos dias fosse uma tentativa de obrigar ele a aparecer pessoalmente para oferecer algum consolo.

Bastaria tocar no assunto, e Patrícia cairia no choro, reclamando de tudo o que tinha sofrido.

Ele daria alguns presentes e, em seguida, faria uma advertência firme: "Quando nos casamos, avisei que só amava Helena. Posso dar uma vida confortável a você, mas não amor. É com ela que eu quero me casar."

Alguma compensação deveria bastar para encerrar o assunto.

Só que Patrícia realmente não parecia se importar.

Aquela reação deveria agradar.

Significava que ela tinha levado suas palavras a sério e não alimentava ilusões.

Ainda assim, a indiferença de Patrícia provocava um incômodo que Ricardo não sabia explicar.

— Majestade, trouxe o que pediu.

O mordomo Francisco entrou, seguido de vários criados com caixas de presente nas mãos.

Dentro delas, havia peles de coelho branco da melhor qualidade: macias, densas, sem uma única mancha.

Ricardo tinha conseguido aquelas peles numa caçada recente e pretendia presentear Patrícia como compensação.

Diante da reação dela, porém, já não sabia o que dizer.

"Deixa para lá. Vou entregar o presente e ir embora."

Antes que ele falasse, Patrícia comentou:

— Que peles bonitas.

Ela examinou o conteúdo das caixas com admiração, mas sem surpresa nem entusiasmo.

— São da sua última caçada, não são? Trouxe para eu fazer uma estola para Helena?

O incômodo de Ricardo aumentou.

— Por que não pensou... que talvez fossem um presente para você?

Patrícia baixou a cabeça imediatamente. Sua voz soou receosa:

— Eu não me atreveria. Você disse que só ama Helena. Se teve tanto trabalho para conseguir essas peles de coelho branco, com certeza foi por ela. Não ousaria interpretar suas intenções de outra maneira.

Francisco tentou esclarecer:

— Sra. Patrícia, na verdade, Sua Majestade trouxe isso especialmente para a senhora...

— Francisco.

O tom frio de Ricardo interrompeu a explicação, e Francisco se calou na hora.

Patrícia continuava de cabeça baixa, o que só deixava Ricardo ainda mais irritado.

— Nesse caso, termine em um dia. Está ficando cada vez mais frio, e Helena tem a saúde frágil. Ela não pode passar frio.

Patrícia concordou, sem erguer o rosto:

— Está bem.

A obediência dela só fez a raiva aumentar.

Ricardo se virou bruscamente e saiu do Palácio Lua Prateada a passos largos.

Patrícia acompanhou sua saída com os olhos, um pouco confusa, mas logo recuperou a tranquilidade e chamou a criada Letícia.

— Vá buscar agulha e linha.

— Sim.

Assim que Letícia voltou, Patrícia se sentou junto à janela e começou a costurar a estola.

A luz do sol iluminava seus dedos finos, que manejavam a agulha com habilidade.

Letícia perguntou baixinho:

— A senhora não está mesmo triste?

Patrícia interrompeu o trabalho por um instante e sorriu.

Foi um sorriso discreto, mas suficiente para suavizar sua expressão distante.

Ficou tão bonita que era difícil desviar os olhos.

— Por que eu ficaria triste?

Dentro de cinco dias, a substância que tinha tomado para simular a própria morte faria efeito.

Então, poderia deixar de vez o Palácio Imperial Aurora e Ricardo.

Iria para Lago Sereno, encontrar quem realmente amava.

Patrícia e Helena eram filhas do primeiro-ministro Roberto Silva, mas Patrícia era fruto de um caso extraconjugal dele.

Como tinha a saúde frágil desde pequena, foi enviada para Lago Sereno, onde cresceu aos cuidados da avó.

Foi lá que conheceu Arthur Queiroz.

Filho do governador de Lago Sereno, Arthur era gentil e muito talentoso.

Os dois cresceram juntos: estudavam, passeavam pelos jardins e admiravam lado a lado as paisagens da região.

Certa vez, Arthur segurou a mão de Patrícia e prometeu:

— Quando você tiver idade para casar, eu me caso com você.

Ela corou.

— Está bem.

Mas, no dia marcado para conversar sobre o casamento, antes mesmo da chegada da família Queiroz, Roberto mandou trazer ela de volta para Sol Nascente.

Queria que Patrícia se casasse com Ricardo, o terceiro filho do imperador.

Naquela época, os nove filhos do imperador disputavam a sucessão ao trono.

O pai tinha arranjado para cada um deles um casamento com uma família influente, e Ricardo deveria se casar com uma filha de Roberto.

Ricardo amava Helena, a meia-irmã mais velha de Patrícia.

Sabia, porém, como a situação era perigosa.

Se os dois se casassem, Helena também seria envolvida na disputa.

Por isso, quando descobriu que ela tinha uma irmã criada em Lago Sereno, exigiu se casar com Patrícia.

Patrícia se recusou, mas Roberto ameaçou matar Arthur:

— Se você não aceitar, eu acabo com ele e com toda a família dele.

Por fim, fez uma promessa:

— Quando Ricardo conquistar o trono, eu dou a você uma pílula para simular sua morte. Assim, poderá sair do Palácio Imperial Aurora e procurar Arthur.

Patrícia aceitou o casamento.

A vida ao lado de Ricardo trouxe exatamente os perigos que ela temia: atentados, envenenamentos, armações.

Patrícia sofreu muitos ferimentos e foi envenenada várias vezes, mas nunca reclamou.

Cuidava de todos os assuntos da casa para que Ricardo não precisasse se preocupar com nada.

Quando ele se feriu e precisou de uma planta medicinal rara, ela arriscou a própria vida para conseguir o que era necessário.

Quando os inimigos prepararam uma armadilha, se colocou na frente da lâmina destinada a ele.

Em algum momento, os criados começaram a dizer que Patrícia era perdidamente apaixonada por Ricardo.

Ela não tinha como explicar.

Só queria ajudar Ricardo a conquistar o trono o mais depressa possível para, enfim, voltar para Arthur.

Agora, tudo tinha terminado.

Ricardo era imperador, tinha desfeito o casamento com ela e se casado com Helena.

Dois dias antes, Patrícia tinha tomado a pílula.

O efeito demorava sete dias para começar.

Faltavam apenas cinco.

Mais
Próximo Capítulo
Baixar

Último capítulo

Mais Capítulos

Também vai gostar

Nuevas novelas de lanzamiento

Último capítulo

Não há comentários
26 chapters
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App