Mundo de ficçãoIniciar sessãoRicardo se tornou imperador. Pouco depois, desfez à força seu casamento com Patrícia Silva e se casou com Helena Silva, fazendo dela a imperatriz. Patrícia, que tinha enfrentado ao lado dele toda a disputa pelo trono, recebeu apenas o título de Consorte Imperial. No dia em que a notícia chegou ao Palácio Lua Prateada, o silêncio tomou conta de tudo. Os criados mantinham a cabeça baixa e até evitavam fazer barulho ao respirar. Temiam que Patrícia caísse no choro, quebrasse tudo o que visse pela frente ou simplesmente não suportasse a humilhação de ter sido deixada de lado. Mas ela aceitou a decisão com tranquilidade. Sua voz e seu rosto não demonstravam nenhuma emoção. Nem mesmo seus belos olhos revelavam o menor sinal de tristeza. Patrícia voltou para o quarto e continuou lendo, como se a decisão de rebaixar ela a Consorte Imperial não tivesse nada a ver com ela. Sete dias depois, Ricardo fez uma de suas raras visitas ao Palácio Lua Prateada.
Ler maisDo lado de fora, Francisco ouviu o barulho e espiou para dentro com cautela.— Majestade? Quer que eu mande alguém...A voz rouca de Ricardo veio de dentro, quase sem esperança:— Deixe Patrícia ir. Ninguém deve impedir. Mande escoltar a família em segredo para fora de Lago Sereno, até o lugar que escolherem. Garanta a segurança deles.Os olhos de Francisco se encheram de lágrimas.— Sim.Não houve mais nenhum som.Francisco esperou por muito tempo. A inquietação aumentava, até que ele criou coragem e abriu uma fresta da porta.Ricardo estava deitado, imóvel. O rosto tinha uma palidez azulada e estranha, e sangue espumoso saía pelo canto da boca. Seus olhos estavam fechados, a respiração fraca.Francisco quase perdeu os sentidos de susto. Entrou cambaleando e começou a gritar:— Chamem o médico! Chamem o médico!A Residência Imperial virou um caos.A notícia de que o imperador tinha tomado veneno durante sua visita de inspeção a Lago Sereno se espalhou depressa e abalou o país.Tam
No fim da tarde do sétimo dia, a febre de Ricardo tinha baixado um pouco. Ele recuperou a consciência, embora ainda estivesse fraco.Patrícia entrou no quarto com uma tigela de caldo leve de frango.Ricardo não pegou a comida. Apenas olhou para ela, agarrado à última esperança que ainda restava.Patrícia colocou a tigela na mesa ao alcance dele e falou baixinho:— O prazo acabou.O brilho nos olhos de Ricardo desapareceu aos poucos, até restar apenas um vazio escuro.— Você ainda quer ir embora?Sua voz estava muito rouca.Patrícia assentiu, sem desviar o olhar.— Quero.Ele continuou encarando ela, incapaz de desistir de uma última tentativa.— E se eu não deixar?Patrícia tirou a adaga que antes havia encostado no próprio pescoço e colocou a arma ao lado da tigela.— Então, só vai conseguir ficar com o meu corpo.Ricardo olhou para a arma, depois para o rosto tranquilo dela. Começou a rir, tomado por uma tristeza sem fim.Ainda rindo baixinho, tirou um pequeno frasco de porcelana d
O coração de Ricardo se apertou com tanta força que ele quase perdeu o ar.Nunca quis ver Patrícia aceitar daquele jeito, tão resignada e desesperada.Mas, àquela altura, o que mais poderia fazer?— Vou cumprir minha palavra.Ele se virou, incapaz de continuar olhando para Patrícia. Temia que mais um instante fosse suficiente para ceder ou perder o controle.......Durante aqueles sete dias, Ricardo ofereceu toda a ternura e a paciência de que era capaz.Instalou Patrícia nos aposentos mais confortáveis da Residência Imperial, onde cada objeto tinha sido escolhido de acordo com os gostos que ela demonstrava no Palácio Lua Prateada.Mandou trazer os doces mais delicados de Lago Sereno, vestidos da última moda e joias, até encher o quarto.Fazia companhia durante as refeições, mesmo quando Patrícia mal tocava nos talheres e permanecia de olhos baixos, como uma boneca de porcelana sem vida.Procurou os livros de que ela gostava e leu em voz alta, embora Patrícia não erguesse a cabeça par
A Residência Imperial estava fortemente vigiada, mas ninguém tentou impedir a entrada de Patrícia. Ela foi conduzida diretamente a um cômodo junto à água.Ricardo estava diante da janela, com as mãos atrás das costas, observando as folhas que restavam no lago. Só se virou quando ouviu os passos.— Finalmente aceitou me ver.Sua voz estava um pouco rouca.Patrícia parou a três passos dele. Por Arthur, obrigou a si mesma a deixar a dignidade de lado e se ajoelhou, sem olhar nos olhos de Ricardo.— Por favor, solte Arthur.Ricardo encarou Patrícia no chão.Ela estava disposta a implorar daquela maneira. Aquela submissão doeu tanto que ele mal conseguia olhar.Deu um passo e tentou ajudar Patrícia a se levantar, mas ela recuou bruscamente, como se o toque fosse queimar sua pele. Continuou de joelhos.A mão de Ricardo parou no ar. Seus olhos escureceram, tomados por uma emoção violenta.Ele recolheu o braço e respondeu com frieza:— E se eu não soltar Arthur?Patrícia ergueu a cabeça.
Último capítulo