Capítulo 187
Manuela Strondda
Hugo me observava em silêncio havia tempo demais.
Aquele silêncio clínico, calculado, que ele usava quando estava avaliando risco — não pacientes. Pessoas. Situações. Eu conhecia aquele olhar. Conhecia melhor do que gostaria.
— O que foi? — ele perguntou enfim, a voz baixa, já limpando o próprio braço com gaze, como se o tiro tivesse sido um incômodo banal.
Engoli em seco.
— Aconteceu alguma coisa com a minha cunhada… — respondi, sentindo o pei