Capítulo 135
Manuela Strondda
Eu abro os olhos devagar. E fecho de novo.
O mundo parece girar em círculos preguiçosos, como se alguém tivesse decidido me balançar dentro de uma caixa escura só para testar minha paciência. Meu corpo inteiro dói. Não é uma dor aguda — é um peso profundo, espalhado, como se cada osso tivesse sido sacudido com raiva.
O cheiro de borracha queimada e metal invade meu nariz antes mesmo que eu consiga organizar os pensamentos.
Abro os olhos outra vez.
Vejo movimento pela janela lateral. Um vulto puxando algo — ou alguém — com brutalidade. O motorista. Reconheço o uniforme. Ele está desacordado, mole demais, sendo arrancado do volante como um saco de areia.
— Ei! — a voz do nosso soldado ao lado corta o ar. — Quem é você?!
Ouço o clique inconfundível de uma arma sendo destravada.
Tento virar o rosto, mas minha cabeça pesa como chumbo. Meu estômago se revira. O mundo dá um solavanco.
Então a outra voz surge.
Baixa. Irritante. Segura d