Capítulo 136
Manuela Strondda
A inquietação sempre vem antes da dor.
Minha mão desliza devagar pelo banco estreito do carro.
Minha respiração falha por um segundo.
— Merda… — murmuro.
Levo a mão ao casaco que vesti antes de sair. Ao bolso interno onde eu sei que estava o envelope. Papel grosso. Lacrado. Entregaria ao tio Maicon. A coisa mais importante que eu carregava hoje.
Mas onde está?
Meu estômago afunda de um jeito perigoso.
— Não… — sussurro, passando a mão pelo corpo com mais urgência. Nada. Nenhum volume. Nenhuma dobra suspeita.
O envelope também sumiu com o acidente.
O carro desacelera. Paramos. Pela janela lateral, vejo uma fachada branca, grande demais. Um hospital. Mas não um que eu reconheça. Não é da Strondda, nem o instituto Helen Marino.
Meu coração acelera.
— Onde a gente tá? — pergunto, virando o rosto com dificuldade.
Ele está no banco da frente. Postura rígida. Mandíbula travada. As mãos grandes ainda no volante, como se estive