Capítulo 170
Manuela Strondda
Hugo não disse uma palavra quando entramos no jato.
Nenhuma.
Nem um “senta”, nem um olhar atravessado, nem aquele comentário seco que ele costuma usar para mostrar que ainda está no controle. Nada. O Corvo simplesmente passou por mim, os passos firmes, o corpo rígido demais, como se estivesse segurando alguma coisa perigosa por dentro.
Sentei perto da janela. Cruzei as pernas. Esperei.
O silêncio cresceu.
O motor começou a roncar, o chão vibrou sob nossos pés e, ainda assim, ele não se moveu. O maxilar travado. Os ombros largos tensos. A mão fechada no apoio da poltrona como se ela fosse um inimigo.
Aquilo começou a me incomodar de verdade.
Não pela frieza. Pela escolha.
Ignorar é sempre uma escolha.
Quando o jato estabilizou, ele se levantou sem olhar para trás e foi em direção ao quarto. Caminhei atrás, tranquila por fora, irritada por dentro. Assim que atravessei a porta ele saiu, ouvi o impacto seco.
Ele fechou por fora com for