Valentina
O tempo tem uma forma curiosa de se mover quando a gente espera.
Às vezes ele corre, como nos dias em que o outono decidiu varrer as folhas de Florença e pintar o jardim de ocre e dourado. Outras vezes ele se arrasta, pesado e lento, como a minha própria respiração ao tentar subir as escadas.
Meses se passaram. Oitavo mês.
Minha barriga tinha deixado de ser uma curva discreta para se tornar o centro de gravidade da casa. Eu me sentia imensa. Meus pés inchavam, minhas costas reclam