Valentina
O sol já tinha reivindicado o céu de Londres há algum tempo. A luz entrava pelas frestas da cortina pesada, desenhando linhas de poeira dourada no ar, como se o dia lá fora não soubesse do peso da noite que tivemos aqui dentro.
Estiquei a mão pelo lençol, buscando o calor que meu corpo já aprendeu a exigir.
Vazio.
Frio.
- Dante? - sussurrei, a voz ainda rouca de sono e resquício de medo.
O silêncio me respondeu.
Sentei-me na cama, o coração acelerando num reflexo bobo de quem a