RODRIGO NARRANDO:
Enquanto dirigia, cada palavra de Gisele ecoava na minha mente. O silêncio entre nós era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som suave da respiração de Rodriguinho, que dormia profundamente no colo dela. Eu a observava de soslaio enquanto ela cobria o menino com a blusa para protegê-lo do vento frio. Minha mente, por outro lado, estava uma tempestade. Micaela não parava de ligar, e tive que desligar o celular. Não conseguia pensar em mais nada agora além da realidade que Gisele me tinha revelado, uma realidade que parecia mudar tudo, eu era pai.
Quando chegamos à comunidade afastada, o cenário à minha volta me fez sentir um nó na garganta. As ruas estavam movimentadas de um jeito que me incomodava. Vi os olhares das pessoas seguindo o carro enquanto passamos lentamente. Alguns rapazes, claramente do tráfico, faziam transações nas esquinas, mas mantive o foco no endereço. Finalmente parei em frente a um cortiço com as luzes fracas na fachada.
Era ali.
Desligue