GISELE NARRANDO:
Eu o observei por alguns segundos. Rodrigo estava calado, mas o olhar que ele lançava sobre o meu filho me fez estremecer por dentro. Havia desconfiança, quase uma análise clínica. Era como se ele tentasse buscar uma lógica que o convencesse do que eu já sabia há muito tempo: ele era o pai. Eu sentia meu coração bater acelerado, e ao ver os pacotes de camisinhas que ele colocou de volta na prateleira, o desconforto cresceu.
"Claro... ele deve achar que estou tentando dar o golpe da barriga," pensei, com um nó se formando em minha garganta.
Eu me senti pequena diante dele, como se estivesse sendo julgada por algo que jamais fiz, mas não ia abaixar a cabeça. Rodrigo precisava saber a verdade, e eu não estava pedindo nada além de que ele reconhecesse seu próprio filho.
Respirei fundo, tentando reunir o pouco de força que ainda me restava.
— Olha, eu não espero que você acredite nas minhas palavras. — minha voz saiu firme, ainda que meu coração estivesse despedaçado