Sentei-me na borda da cama, segurando o convite de casamento que repousava sobre a mesa de cabeceira. As letras em relevo dourado pareciam brilhar com uma intensidade assustadora: Helena de Guimarães.
Ontem, no jantar, eu vi o que esse nome faz com as pessoas. Ele silencia salas, ele curva espinhas e, nas mãos de Dona Margarida, ele era uma chicote. Agora, ele seria meu. Eu deixaria de ser apenas a 'Lena' — a moça que conhecia os segredos das frestas do assoalho e o cheiro do café fresco — para carregar o brasão de uma das famílias mais poderosas do país.
Ser a Senhora Heitor Guimarães não era apenas ganhar um título; era vestir uma armadura de ferro que pesava toneladas. Eu pensava no Heitor. O nome dele, que antes me parecia apenas o nome de um rapaz triste, agora soava como um dever. Eu seria o rosto público da sua honra. Eu seria a guardiã do seu segredo mais profundo e da sua felicidade mais proibida.
Cada vez que alguém me chamasse de 'Senhora Guimarães', eu teria que lembrar qu