O sol mal tinha começado a clarear as cortinas de seda quando ouvimos o som seco da maçaneta girando. Não houve batida, não houve aviso. Foi o instinto de sobrevivência que nos moveu. Em um segundo, o rapaz me puxou para a cama e cobriu nossas pernas com o edredom pesado, enquanto eu escondia o rosto no peito dele, o coração batendo como um tambor.
A porta se escancarou. Pelo canto do olho, vi a silhueta da mãe dele parada no portal. Ela não carregava uma bandeja de café; ela carregava um olhar de julgamento. Ela caminhou lentamente pelo quarto, o som dos seus saltos no taco soando como batidas de relógio.
— Ah, ainda dormindo? — a voz dela cortou o ar, fria e cortante. — Pensei que uma moça acostumada a acordar às cinco da manhã para limpar o chão já estivesse de pé, Lena. Ou será que a vida de 'noiva' já te deixou preguiçosa?
O rapaz apertou meu ombro levemente, um sinal de apoio, e fingiu um bocejo, mantendo o braço ao meu redor com uma naturalidade que me impressionou.
— Mãe? O qu