Ponto de vista do narrador
Natália fechou a porta do quarto de Rebeca com o cuidado de quem sela um segredo. A pequena dormia profundamente, abraçada a boneca de pano da moranguinho, o rosto relaxado depois do banho morno e da história contada em sussurros. Natália ficou alguns segundos ali, observando a respiração tranquila subir e descer, até que o cansaço finalmente a alcançou.
Seguiu pelo corredor silencioso até o quarto que lhe fora destinado. Natália entrou em seu quarto, deixou a porta apenas encostada e foi direto ao banheiro. Tirou a roupa com calma e entrou no chuveiro frio, fechando os olhos quando a água tocou a pele quente do sol. Era mais do que refresco; era tentativa de silenciar pensamentos demais.
Carlos Eduardo — no jeito como ele ria fácil, no modo como a envolvia sem pedir nada em troca. Pensou também no pai dele, na presença constante, no olhar atento demais. Natália fechou os olhos, tentando acalmar a tempestade formada em seu peito.
Quando saiu do banho, vesti