Ponto de vista do narrador
A noite caíra sobre a cidade como um manto de veludo negro, pontilhado pelas luzes dos arranha-céus. O restaurante Le Noir, no último andar do Edifício Empresarial Central, era o tipo de lugar onde os acordos se fechavam com um aperto de mão e um envelope grosso, longe de atas e testemunhas.
Carlos Alberto chegou cedo, terno Armani azul-marinho, camisa aberta no primeiro botão, o Patek Philippe reluzindo no pulso. Ao lado dele, Letícia Matos, cabelos agora dourados caindo em ondas perfeitas, vestido preto justo que marcava cada curva como se tivesse sido costurado no corpo. Ela sabia o papel que desempenhava: secretária impecável na mesa, brinquedo particular depois.
Os três acionistas da Voe Tur Turismo já aguardavam.
Roberto Mendes, o CEO gordo e sempre sorridente, com o nariz ainda vermelho da última linha.
Ana Clara Vieira, CFO de olhos felinos e lábios pintados de vermelho-sangue, que cheirava a perfume caro e ambição.
Paulo Henrique Souza, d